domingo, 23 de dezembro de 2012

Fazendo visitas

Foto: Marilza Conceição
 "Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos".
Antoine de Saint-Exupéry



Estou sempre fazendo visitas.
Gosto de visitar a casa dos amigos. Converso, ouço música, aprecio o almoço tão bem preparado, tomo café com bolinho de chuva, jogo conversa fora, vejo o filme, como pipoca, divago sobre a vida. Frequento as minhas lembranças e as dos outros, compartilhando o passado, na mesa do presente.


Gosto de visitar o coração das pessoas. Quando sou convidada, conheço as histórias mais bonitas, outras vezes as mais tristes, as aventuras mais fascinantes e apaixonadas e sinto um pouco do que sente quem relata.
Vou-me embora contente por ter conhecido casas de outros lugares, gente de outros costumes, outros tempos, com os pés aqui e agora.

Visitas costumam fazer bem, tanto para o dono da casa ou do coração, como para o visitante.
Compartilhar faz bem, porque nos remete ao já vivido e a gente se escuta falando. Então se perdoa, se for o caso, ou se diverte.

Quando vivo como andarilha, trilho histórias pelo caminho do asfalto, encontrando galhos caídos com a tempestade que não deu conta de acabar com o mundo, rosas trepadas nos muros das casas e alface na geladeira. Rosas alimentam os olhos, o olfato e o paladar. Alface, desperta apetites, com seu delicado sabor. São imagens são agradáveis.
Como andarilha, passo pelo caminho do coração de crianças e adultos, inventando moda, falando algumas verdades, prendendo a respiração, caindo na gargalhada. Sou palhaça, sou manteiga derretida, sou atriz nas mais diferentes passagens da minha vida e das narrativas dos outros, com quem me deparo. E tudo vira história pra boi dormir ou para refletir.


Não importa se o céu está cinzento porque são as decisões que acendem nosso sol interior, onde tudo é luz.

Se lá no passado houve uma decisão errada, é sempre tempo de se perdoar e seguir em frente porque já está feito e passou. É melhor escolher gostar muito da gente mesmo, porque este amor sai do nosso interior pelos olhos enxergando um mundo melhor e iluminando o dos outros; pelas mãos, realizando arte e trabalho de qualidade; sai pela boca dizendo palavras boas de se ouvir, sai pelos pés, que nos levam por bons caminhos e encontros; sai pelo corpo e dá vontade de dançar. Vamos fazer aula de dança?

Gente otimista se ama e vive em constante movimento, criando e se divertindo. É bom ficar perto de quem age positivamente.
A escolha é sempre nossa: felicidade por meia hora, por uma semana ou pela vida toda.