segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ouvidos e olhos espertos

Observo a escuta das crianças na tarefa humana de ler o mundo. Aprendo com seus sonhos. É no encontro que aprendemos e nos transformamos.



terça-feira, 28 de setembro de 2010

Um livro do qual gostei muito!


Regina Sormani, redatora do blog da AEILIJ Paulista, propôs aos autores que comentassem sobre um livro do qual gostaram muito: AEILIJ PAULISTA: Um livro do qual gostei muito

Gostei muito de "Quando eu era pequena", de Adélia Prado, Editora Record. Apesar de ser classificado como literatura infanto-juvenil - não são somente crianças que gostam de linguagem poética - o livro oferece leitura agradável para todas as idades. Adélia está estreando na escrita de literatura infanto-juvenil e escreve com maestria. A personagem principal, Carmela, faz desconfiar que se trata de memórias e nem tanto de invenção literária. As ilustrações de Elisabeth Teixeira são primorosas e remetem ao romantismo do texto. Na história, são relatadas as dificuldades financeiras da família durante a segunda Guerra Mundial, as roupas que passavam da irmã mais velha para a menor, a oração nos dias de chuva e as poesias declamadas para as visitas.
E foi isto que me tocou profundamente, pois lembrei-me da minha infância. Quando chegavam visitas em casa, meu pai chamava:
— Marilza, venha cantar!
Ao violão, ele dedilhava acordes que eu acompanhava no tom que ele indicava. - É dó! - eu nunca soube direito qual é a entonação do dó. Modulava a voz pelo ouvido. E cantávamos o que era ensaiado, em domingos pela manhã.

Com sua escrita despojada, Adélia alinhava os acontecimentos, em um tom que fica mais autobiográfico e emocionado ao longo do livro. Na última página, dá a deixa quando relata aquilo que se pode considerar um postscriptum: “Em um livro não cabe tudo. Não falei de minhas brigas com Alberto nem das brincadeiras com meu primo Benedito. Quem sabe posso escrever outro para contar esta parte?”.


Sou fã e adorei!



quarta-feira, 11 de agosto de 2010

XXI Bienal Internacional do Livro de São Paulo - 2010

Apresentação e divulgação do livro:O Balé da Chuva
e contação da história: O Peixinho Amarelo
STAND DA CBL - Câmara Brasileira do Livro
e AEI-LIJ (Associação dos escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil)
Rua N 42 com Rua O 43

segunda-feira, 7 de junho de 2010

PARA GOSTAR DE LITERATURA


Um curso para apaixonar-se por Literatura.
Foi o que me propus quando iniciei este projeto. Apaixonar as pessoas por Literatura. Promovo a visitação de diversos espaços de arte e cultura de Curitiba: Farol do Saber Kalil Gibran, Museu Oscar Niemeyer, Casa da Leitura Manoel Carlos Karan - no Parque Barigui, Conservatório de Música Popular Brasileira, Paço da Liberdade e Cinemateca.
Percebo que a narrativa está ancorada no uso daquilo que se recolhe do universo: no convívio, no cinema, na obra de arte, na leitura de livros e outros textos, e isto forma nossa visão de mundo, onde um concerto conta sua história, uma instalação conta outra. 
A leitura faz diferença no indivíduo por ter a capacidade de estabelecer pontes, fomentando a cultura. E a cidadania é feita da tomada da palavra que não está dormida no dicionário, mas viva, em suas diferentes formas, sendo arte, música, pintura, teatro ou cinema, contando a sua história.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O Beduíno e a Estrela

O Beduíno e a Estrela

A última estrela a se apagar
avista um caminhante e brilha mais forte.
Ele nem sonha que é observado
nem sabe o quanto ela quer lhe falar!
Trilha um longo caminho pontilhando pegadas.
Na areia pensa água.


Se ela falasse humanês indicaria: é por aqui!
Se ele falasse estrelês responderia: faça-me subir!
Fonte da imagem: tubaltrentino.blogspot.com
                                                

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A maior autoridade em leitura no Brasil


Eliana Yunes, esteve em 15.04.10, no Palacete Wolf, em Curitiba.
Responsável pela Cátedra Leitura da Unesco, é uma das mais importantes pensadoras e pesquisadoras da área da Leitura no Brasil. Fundadora, junto com Affonso Romano de Sant'Anna e outros, do Proler, ação de Leitura vinculada à Fundação Biblioteca Nacional, foi também responsável pela implantação, na década de 90, do projeto Casa de Leitura, no Rio de Janeiro. A vinda dela à Curitiba faz parte dos investimentos na área de formação de Agentes Mediadores de Leitura, ligada à Coordenação de Literatura da Fundação Cultural de Curitiba.
"Acham que criar bibliotecas é incentivar a leitura. Mas não se fala em tirar o livro da estante, não se pensa sobre a recepção do texto, sobre o lugar do leitor".
Eliana começou a se interessar pelo assunto quando era coordenadora do ciclo básico no Colégio Santo Inácio e tentou entender por que a maioria dos alunos, crianças que gostavam de ler, parava de ler em determinada idade. "Entre as causas do desapego à leitura, a mais grave é que a experiência deixa de ser partilhada. Os pais acham que os filhos podem ler sozinhos. Sem leitura compartilhada, não tem formação de crítica. A leitura passa, então, a ser uma prestação de contas escolar"
Além de chamar a atenção para a necessidade de desescolarizar a leitura, Eliana assinala que os próprios professores do Ensino Fundamental não estão preparados para incentivar a leitura. "Muitos não lêem, inclusive. Não é somente um problema escolar, é uma questão social. Não falo apenas da leitura de livros, mas da leitura do mundo. Um dos meus objetivos é estudar e analisar como as pessoas lêem o mundo. Você só pode escrever depois que consegue decodificar outras linguagens. A leitura antecede o livro. E tudo é linguagem..."

sexta-feira, 5 de março de 2010

Guida, a gata.





Guida subiu no teclado, reescrevendo o ditado "o gato subiu no telhado".
E o mouse que se cuide!

Não se fazem mais escritoras como antigamente. Hoje em dia são felinas observadoras do cotidiano.

Guida foi um filhote abandonado na praia. No verão de 2007, trouxe-a para Curitiba, levei-a ao veterinário, tratei suas perebas, vacinei-a, e com presumíveis sete meses, foi castrada. Guida é uma gata de apartamento. Afia unhas no sofá, deixando tudo contemporaneamente desfiado.
Pensa que me engana fingindo que vai dormir em sua almofada
, pois prefere meu edredon. Se o despertador toca e não acordo ela mia bem pertinho do meu rosto.
Outro dia deixou algo escrito em gatês. Com patas macias caminhou pelo teclado e esta interessante mensagem ficou impressa:
"axxsddeffrvgtbt456y776hynhnuj7kmjiik89ool,l.opçp
][~;ç´p.l,okkomjn98miau7y7hyh bhgvgvcftr5frcdxerssxe
\aqz123e3dewcxdecefrv4tgvt5miaubhyby65n76uujn7um
njkim89lk;]~[´=-lçpl,o,OMIKMNJNHBYTVGTVFCFRCxex
xmiauszsw
ewaq123edcefvrgtbhynjmkuk0o/p
9i,iuhbygt
,u.loç;p~´´ç=p, vcr56xe
43zwa2'12w3er4ftg
"
Guardei unicamente por interesse científico. Talvez algum estudioso do comportamento animal ou tradutor de gatês se interesse pela crônica do cotidiano de Guida.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

FIAPOS DE MANGA


        O sítio situava-se a uns 10 km da pequena cidade do interior paulista. Nas férias de verão a família costumava visitar a avó paterna. A terra vermelha impregnava-se nos franzidos das roupas, debaixo das unhas, no couro cabeludo e nas curvinhas das orelhas das crianças.
 Pela estradinha de chão a égua Baia conduzia a carroça numa marcha cadenciada, impulsionando o corpo e balançando a cabeça, expressando “sim, sim”, indicando que a carroça estava pesada.  
O caminho oferecia a visão mágica de todos os tons de verde da plantação, dos pássaros caçando insetos, das abelhas em busca de flores e o cãozinho companheiro, trotando à frente e voltando-se de distância em distância para certificar-se de que a carroça o seguia. Às vezes latia sem propósito, talvez para ouvir seu próprio eco ou para contar alguma novidade do sítio para os que chegavam da cidade. Às vezes parecia que era para demonstrar autoridade de cão, ao espantar passarinhos ou ainda para avisar os de casa que a família estava chegando.
Após a travessia do riacho, avistava-se as centenárias mangueiras plantadas pelo bisavô e onde gerações de crianças da família brincaram,  mantendo a tradição.
Os pés de manga produziam frutos pequenos e doces, que eram colhidos e servidos como sobremesa. Chupava-se com as mãos, lambendo o sumo que escorria entre os dedos, pelos braços, pingando pelos cotovelos. Os fiapos alaranjados fixavam-se entre os dentes e as crianças brincavam de monstro. Rosnavam e corriam pelo terreiro, perseguindo-se com as mãos lambuzadas. Depois de muito correr, iam lavar-se na bica.  
A água escorria por ali sem que ninguém tivesse a decência de fechar a torneira. A princípio a menina estranhara que não havia nada na ponta daquela taquara para estancar a água, além do que a informação do sítio era diferente de Curitiba, onde se falava em evitar o desperdício.
        O cheiro de macela do campo que recheava os travesseiros permanecia nos cabelos por dias, depois que as férias terminavam. A cama oferecia um colchão de palha de milho, que chiava ao deitar-se e continuava chiando a qualquer movimento que se fazia, mesmo respiratório. Era um desconforto reconfortante, que só a casa do sítio da avó podia proporcionar.
        Os gatos persistentes, não compreendiam que pelo fato de haver visitas, sua presença não era tolerada. Mal acostumados, teimavam em retornar, marchando sobre as cobertas de pena de onde a tia os enxotava, desta vez às chineladas.
Na falta de fio dental, não restava alternativa. Antes de escovar os dentes, a neta retirou um fiapo da manga do pijama e passou entre os incisivos para finalmente livrar-se dos persistentes fiapos de manga.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O primeiro beijo

Foi um selinho demorado ao chegar na esquina do colégio. Despedida esperada por meses, sonho que se fez realidade. E veio com um sorriso, com o prenúncio de acontecer novamente porque o amor estava no ar.
Era isso o que pretendiam com aquelas conversas de olhos nos olhos e nos lábios um do outro. O desejo se amontoando nos finais de semana quando não se encontravam. Doces dias da adolescência em que o frescor das descobertas amorosas os embalava entre a matemática e a física.
A sensação dos lábios dele que haviam tocado seus lábios permanecia, apesar da fala dos professores, do burburinho das colegas no recreio e do resto do dia.
A sensação dos lábios dela, que haviam correspondido ao seu beijo permanecia, apesar do papo dos colegas e das aulas de Língua Portuguesa.
Aquele beijo encantado e apaixonado marcava a vida amorosa dos jovens que depois daquele ano, não mais se encontraram. Muito mais tarde, com família constituída eles se falaram numa loja.
Como seria se tivesse me casado com ela!
Como seria se tivesse me casado com ele!
Foi bom o reencontro, por isso ficaram felizes.
Imagem: portal ZUN 
Fizeram muito bem um ao outro numa fase marcante de suas vidas.



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

ESTUDO COMPROVA QUE CRIANÇA QUE LÊ MAIS, ESCREVE MELHOR

Escrito por Livraria da Folha
Ter, 12 de Janeiro de 2010

Está comprovado que as crianças que lêem e escrevem mais são melhores na leitura e na escrita. Escrever posts de blogs, atualizações de status, mensagens de texto, mensagens instantâneas, e outras semelhantes, motiva-as a ler e escrever. Em dezembro de 2009 o "The Nacional Literancy Trust", Fundo Nacional de Alfabetização do Reino Unido, divulgou o resultado de uma pesquisa com 3 mil crianças. Observou-se a correlação entre o engajamento das crianças com as mídias sociais e seu conhecimento da leitura e da escrita. No resultado percebeu-se que as mídias sociais têm ajudado as crianças a se tornarem mais literatas. A Eurostat, organização estatística da Comissão Europeia, recentemente publicou uma matéria mostrando a correlação entre educação e atividade online, indicando que a atividade online aumentou com o nível de atividade formal. Constatou-se que os fatores sócio-economicos influenciam potencialmente.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Poesia


TÊNIS
Guilherme de Almeida


A titia
borda e espia
o gato branco, enroscado
no feltro verde da mesa
e acordado,
com certeza.

Um novelo
cai.  E, ao vê-lo,
o gato bate na bola
e a bola, branca de neve,
pula e rola,
fofa e leve…

Silenciosa,
vagarosa,
–  uma duas angolinhas…  –
a bola solta uma lenta,
longa linha
que se aumenta.

Pouco a pouco,
no mais louco
desnorteante corrupio,
a bola desaparece.
Mas o fio
Cresce… cresce…


Guilherme de Andrade e Almeida – (SP 1890 — SP 1969). 
Advogado, jornalista, poeta, ensaista e tradutor brasileiro.